terça-feira, 13 de maio de 2014

Sobre ser um bom observador.


Similaridade

Observava sempre pela porta aberta durante a aula confusa de física, o garoto que passava distraído pelo corredor da escola, é, aquele que sempre parecia estar caindo/esbarrando/tropeçando toda vez que eu o via.
“Ele parece desenho animado, sempre trombando nas coisas”
“Ele é interessante”
INTERESSANTE (segundo o vocabulário de Amélia e Arthur): adj. 1. Pessoa digna de nota. 2. Que é divertido de se observar.
Mas qual o motivo exatamente? Apenas por ser um pouco desajeitado? Não, é claro que não, na verdade o emprego do adjetivo interessante veio do fato de que o garoto do corredor foi visto com um livro na quadra,  sentado debaixo de uma arvore, enquanto resto das pessoas corria atrás de uma bola. Qualquer um que prefere gastar o tempo da aula de educação física lendo ao invés de suando merece ser notado, principalmente se a leitura atual e futura da pessoa for livros com o qual eu me identifico. Simpatizo de imediato. E observo mais atentamente, porque sou uma excelente observadora de pessoas, percebo de quem eu gosto ou não assim, e não, isso não é pré-conceito, é apenas uma serie de acontecimentos, gestos, meias conversas que eu, desocupada que sou anoto mentalmente na tentativa de descobrir as qualidades e os defeitos de pessoas desconhecidas (pois é, alguns roem unhas eu observo pessoas, problema?). Se  funciona? Na minha cabeça complicada sim, inclusive uma das minhas amizades mais incríveis foi feita assim, com base no meu arquivo mental de pessoas desconhecidas.
Pois é, eu queria sim, que o tal garoto fosse meu amigo, porque segundo esse meu arquivo mental de pessoas desconhecidas, ele era interessante e não apenas na definição de Amélia e Arthur, não apenas por andar sempre com um livro em mãos e um ar distraído/desajeitado incrivelmente fofo, mas também, como descobri posteriormente, porque tem uma opinião corajosa sobre as coisas, porque não tem medo de pensar por conta própria.
 Mesmo que talvez num primeiro momento não aparente, sob a casca de menino arredio, que se recua, que é tímido, que se distrai em pensamentos malucos, existe, alguém tão incrível que eu gostaria muito de conhecer, porque de certa forma acabei percebendo no fim das contas e no fechamento daquele meu arquivo mental não tão louco assim, que ele me era estranhamente familiar, sim, ele se parecia com alguém ...

Comigo.